segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Encontrei uma vedete americana (viva!)


Durante a pesquisa pra fazer O Rei da Roleta, tentei de todas as formas encontrar o máximo de fontes possíveis para enriquecer o conteúdo do livro. Por exemplo, todos os artistas que tinham propagandas individuais para suas apresentações no Cassino da Urca, eu checava a trajetória deles. Alguns encontrei em vídeos antigos, dançando lá no youtube. Entre os gringos que se apresentaram lá, conheci os Nicholas Brothers, a dupla de dançarinos que inspirou de Fred Astaire a Michal Jackson. 


Os Nicholas Brothers no célebre número musical que fecha 
o filme Stormy Weather (de 1943), primeira produção de
Hollywood com elenco exclusivo de afro-americanos.

Ou gente como a dançarina Eros Volúsia, que era folclorista antes mesmo da Carmen Miranda pensar em se vestir de bahiana. Mas dessa turma toda, que há mais de setenta anos já trabalhava, nem tem ninguém vivo agora. Imaginava que era só a Virginia Lane - que foi entrevistada. Fora ela, claro que todo mundo já morreu, pensava.

Mas, por um acaso, no dia 19 de maio de 1939, apresentou-se por lá o trio de dançarinas/cantoras The Three Biltmorettes, que completou "o exito do show de Josephine Baker" na noite do "Show Dansante" da Urca. Google vai, google vem, vi que as Biltmorettes continuaram sua carreira na televisão americana.


Logo, encontramos a neurologista Gizell Larson, uma fã das Biltmorettes que ainda mantinha contato com uma de suas integrantes. Ela me passou o endereço da senhora Edna Mae Isenburg, que vive em Glendale, California. Logo, escrevi uma carta pra Edna perguntando algumas coisas, mas também enviando a ela, uma cópia da propaganda do show das The Three Biltmorettes no Cassino da Urca. Fazem quase dois anos, e dona Edna nunca me respondeu. Só que na última semana, recebi uma missiva dizendo que dona Edna está bem. Quem respondeu a carta foi a própria Larson, que também se empolgou com a história. A doutora contou que a senhora Edna ainda lembra de seus dias de praia no Rio de Janeiro e das noites no Cassino. Ah, e também que Edna Mae Isenburg é a vedete à direita no poster logo acima, e até hoje, aos 90 anos, ela ainda gosta de viajar. Abaixo, uma reprodução da carta.







terça-feira, 27 de março de 2012

Sabe aquela piada do Rolla?




Sem querer fazer uma defesa apaixonada de um personagem com quem vivi seis anos, agora posso agradecer alguém que me ajudou muito, mesmo quando falava sem saber.

Quando era adolescente e morava em São Domingos do Prata, meu pai apareceu com o livro "O Homem que Matou Getúlio Vargas", de Jô Soares. E o motivo de ele comprar algum livro histórico por aquela época, era quando tinha alguma citação ao tio-avô dele, Joaquim Rolla. O anterior era o "Chatô, O Rei do Brasil" , a divertida biografia de Assis Chateaubriand escrita por Fernando Morais.

Mas enfim, voltando ao livro do apresentador Jô Soares, ele narra a trajetória fictícia de um sérvio com seis dedos que andava pelo Rio de Janeiro tentando exercer a profissão de matador de aluguel. A história se passa na Cidade Maravilhosa pré-Segunda Guerra Mundial. Obviamente, numa passagem de Dimitri pelo Cassino da Urca, o autor discorre sobre o personagem que meu pai era fã (páginas 282/283) :

"O luxuoso Cassino da Urca era a concretização do sonho de um visionário mineiro chamado Joaquim Rolla. Homem de origem humilde que começara a vida como tropeiro, conduzindo bestas de carga pelas trilhas do interior, Rolla chegara a empreteiro de estradas. (...)

Alto e elegante, Joaquim Rolla raramente circulava pelos salões. Comandava seu império da mesa cativa do grill, onde mesmo os figurões do Estado Novo iam render-lhe homenagem. Dono de uma inteligência ágil e brilhante era, no entanto, semi-analfabeto. Mal sabia assinar o nome. Seu vocabulário era inversamente proporcional à riqueza que acumulara.

Consta que, certa vez, encontrara-se à tarde, no centro da cidade, com um conhecido político que estivera a noite anterior no cassino. O político saudara-o dizendo:

— Rolla! Que agradável coincidência!Rolla respondera, sem perder a pose:

— A coincidência é toda minha, Excelência."

Até que o Gordo não deu daquelas tiradas vergonhosas em mim ou no Euler. De preparado, na dedicatória que fiz a ele estava:

"JÔ,

A coincidência é toda nossa!

Abraço,

(...)"



Beijo do magro.







quarta-feira, 21 de março de 2012

A Ruína em Deriva - Alguma sorte pelos caminhos de "O Rei da Roleta"

 
Publicado originalmente no Cometa Itabirano em 15 de março de 2012, o texto a seguir, escrito em outubro de 2010 e pensado originalmente como epílogo para o livro "O Rei da Roleta - A Incrível Vida de Joaquim Rolla", acabou tendo outro uso. Aqui, recheado de imagens.

Compartilhar as minhas experiências com a pesquisa sobre Joaquim Rolla desde que eu e meu amigo Euler Corradi inventamos essa tarefa inicialmente quixotesca, mas no fim das contas hercúlea - tecer uma biografia nua e crua, sem encher linguiça.

No início do booktrailer acima, trechos de um super-8 filmado em 1968 pelo cineasta Paulo Pereira na Fazenda do Paiva, com meu pai, João Braz, andando a cavalo como se fosse "seu ídolo", Joaquim Rolla.

A Ruína da Roleta - Análise dos Locais Perpassados na Atualidade


Em 1990, estreou na Rede Globo uma mini-série que me chamou a atenção, chamada de A, E, I, O, Urca, Naquela época eu, com apenas 12 anos, era vidrado em ver e gravar coisas no videocassete. Meu pai, que era admirador das histórias de seu tio-avô, Joaquim Rolla – o dono do Cassino da Urca, principal pano de fundo da história – logo me comprou uma fita de vídeo virgem para gravar os episódios.

Lembro claramente do último capítulo, quando o jogo foi proibido no Brasil e o personagem de meu tio-bisavô, Joaquim Rolla, sobe no palco do Cassino da Urca para avisar aos funcionários sobre a extinção de seu negócio. Foi a única vez que o personagem teve um papel realmente ativo na história. Achei esquisito, mas guardei aquilo.
Passados alguns meses, eu estava descendo da escola, quando vi meu tio-bisavô Mário Rolla descendo a rua central de São Domingos do Prata. Larguei meus colegas e desci ao lado de tio Mário para lhe perguntar sobre a série. Ele respondeu que o Joaquim da televisão não tinha nada a ver, nem na personalidade e nem no físico. Explicou-me ainda com toda a paciência, que a série tinha uma trama fictícia inserida no contexto do local, num pano de fundo com o mistério e o glamour que rondava o Cassino da Urca. Foi assim, que começou a minha curiosidade sobre a vida de Joaquim Rolla.

 
Meu pai e os primos dele que gostavam de contar causos, sempre que se juntavam, começavam a expor tudo que ouviam desde criança. Transformavam as épicas brigas, prisões e conspirações de Joaquim Rolla em historinhas fantásticas, e eu, moleque, escutava tudo fascinado, apesar de mal entender o contexto histórico daquilo.

Assim, a minha adolescência na cidade de São Domingos do Prata foi se passando. Juntamente com as histórias da família que escutava, fui me interessando por outras atividades culturais e pouco depois de atingir a maioridade, parti para Belo Horizonte para fazer jornalismo. Mal sabia ainda, que nos arquivos da hemeroteca da cidade, existia informação riquíssima para alimentar a ideia fixa que herdara de meu pai: escrever a biografia de Joaquim Rolla.
Nessa altura, coloquei num site de armazenar imagens, uma foto inédita de Joaquim Rolla, que ele havia dado à sua irmã, minha bisavó. Na legenda, eu o classificava como “dono do Cassino da Urca, construtor de Quitandinha e bon-vivant.” 

Joaquim Rolla no tiro de guerra em 1921

Através desta imagem acima, fui contactado por Euler Corradi, um empresário interessado em levantar a vida de Joaquim Rolla. Não nos conhecíamos, e depois de um encontro na rua onde cogitamos fazer a biografia num prazo extendido, combinamos de viajar para entrevistar as poucas pessoas ainda vivas que foram próximas de meu tio.
Logo fomos a Petrópolis, onde finalmente conheci o Quitandinha e entrevistamos Zorayda, a segunda mulher de Rolla, de quem Carol Jácome, com quem eu namorava, tirou esta expressiva foto:
 

Marinheiros de primeira viagem, não foi uma entrevista perfeita, mas envolvia algum mistério que iríamos revelar durante seis longos anos. Ainda naquela mesma viagem, esticamos a viagem pro Rio de Janeiro, onde Diva, a terceira e última esposa de Joaquim nos recebeu muito bem. Mostrei Diva a foto de Joaquim que eu havia colocado na internet e quando ela leu a legenda, se incomodou, dizendo que Joaquim nunca foi bon-vivant. Isso pude confirmar no diário do irmão do empresário, Mário Rolla, carinhosamente cedido por seu filho Mario Gustavo, nosso leme investigativo na concepção da biografia. O homem só pensava em trabalhar – logo era um workaholic e não bon-vivant.

A primeira esposa de Rolla, Odete, recém-falecida aos 103 anos, foi também a última a ser entrevistada. Nas minhas visitas a ela, inicialmente relacionadas com a pesquisa, fui estabelecendo uma relação de amizade, e depois visitava tia Odette apenas para saber seu estado de saúde, conversar sobre os vários e extraordinários detalhes que a centenária cidadã pratiana, extremamente lúcida, ainda lembrava. Como a inauguração do primeiro elevador de Belo Horizonte ainda no começo da década de 1930, bem pertinho da Praça Sete. Quando eu sumia, ela me ligava, e já lançava pelo telefone um: "Você sumiu, seu salafrário!"


Durante este processo, ingressei e concluí uma pós-graduação em arte contemporânea na Escola Guignard. Lá, casei meu interesse por imagem e texto produzindo um livro de processo sobre minha relação com a pesquisa biográfica que me consumia.  Cruzando a história oral que me perseguia com a colaboração de amigos meus, pude criar sem compromisso com a verdade. Os lugares e pessoas perpassados por meu tio-bisavô entraram na minha rota e eu escrevia coisas que alguns amigos convidados ilustravam. comecei a produzir cartazes com fotos das personalidades que se cruzaram com o parente Forrest Gump. Os posters de retratos sobrepostos com o titulo “Procurado”, eram acompanhados de pequenos textos relativos às pessoas representadas. Foi quando surgiu a ideia para o meu projeto de conclusão de curso: um livro de processo que intitulei de “Tropecassino” - e também origem deste blog.

Posters Tropecassino pregados no Cassino da Urca em 2007.

Neste ponto, já tinha mais de três anos de investigação histórica e o livrinho deu forças para finalizar a nossa pesquisa. Foi quando conhecemos o Ruy Castro, que indicou a mim e ao Euler, dois autores ainda verdes, à editora Casa da Palavra, que acabou encampando o projeto e nos dando todo apoio para colocar o projeto na lei federal de incentivo a cultura - junto da Duffry, que nos patrocinou, já em 2011. 

De toda forma sempre notava que o percurso do Joaquim Rolla em seus mega-projetos turísticos e imobiliários e noutros negócios conecta regiões distintas pelo sudeste do Brasil - e de certa forma, até o nordeste. São Domingos do Prata, Petrópolis, o Edifício JK em Belo Horizonte até mesmo a Feira de Tradições Nordestinhas no Rio de Janeiro. Ao longo da pesquisa, não pude deixar de relacionar esses lugares na sua temporalidade – o que foram outrora no trajeto de meu tio-bisavô, e o que são agora, perante nossos próprios olhos neste trajeto de investigação.

Localizada no vale do Rio Doce, a cidade de São Domingos do Prata não tem qualquer tipo de riqueza mineral. É um município extenso, com pequenas propriedades rurais e a sua sede, no tempo de Joaquim apenas um pequeno arraial, hoje possui serviços satisfatórios às necessidades de sua pequena população. Ao longe, o horizonte da cidade continua dominado pela torre da igreja, que recebeu uma reforma estrutural bancada por Joaquim para não vir ao chão. Ele contribuiu também para a construção do hospital e de uma pequena estrada rodoviária para Dionísio. No final da década de 1960, Joaquim doou à banda de música municipal de sua terra, a Corporação Musical Santa Cecília, um belo uniforme que era utilizado nas cerimônias de gala, tendo durado décadas. Isto foi motivo para que Anastácio Ubaldino Fernandes, respeitado professor de música e maestro da banda, compusesse em sua homenagem o “Dobrado Joaquim Rolla”.
 
Fazenda do Paiva, em São Domingos do Prata - Meu sobrinho João Paulo em frente ao fogão de tropeiro que Joaquim Rolla deu a Cupido e acabou chegando às mãos de meu pai.
Mas a maior contribuição de Joaquim como empreiteiro de um grande projeto na cidade, foi a estrada rodoviária ligando São Domingos do Prata à terra natal do empresário, Dom Silvério, que ainda hoje é utilizada, mesmo que ainda não seja asfaltada. A Estrada de Ferro Vitória-Minas é um dos mais importantes troncos ferroviários do país, escoando a produção mineral do Vale do Rio Doce e suas enormes empresas até o Porto de Tubarão, em Vitória, onde tudo é exportado. É a única linha ferroviária do Brasil a ligar duas capitais diariamente com transporte de passageiros. Do trecho construído original por Joaquim no final dos anos vinte, entre Antônio Dias e Nova Era resta pouco, mas a nova estrada foi feita margeando os caminhos da antiga – que agora serve como atalho rodoviário.

A cidade de Belo Horizonte (MG) onde moro, era a mesma cidade planejada no final do século XIX, quando Joaquim Rolla viveu aqui, no inicio da década de trinta. Mas desde então, cresceu muito além do esperado por seus idealizadores. Hoje em dia, as antigas instalações da Pampulha, onde Joaquim foi concessionário do jogo, abrigam o Museu de Arte Moderna. Originalmente pensado para ser no térreo do CGJK – onde hoje existe uma mera repartição pública – o Museu da Pampulha é uma instituição pública que agora procura preservar informações históricas relativas a tudo o que aconteceu por ali. O MAP mantém o caráter modernista do antigo cassino e é mais um testemunho ao talento de Niemeyer, que com o complexo da Pampulha e a lagoa artificial que este delimita, tornou-se cartão-postal de BH. 

"Durante Tropecassino, até Eurico Dutra foi arrancado à força do orelhão do antigo Cassino da Pampulha"
Já o CGJK, cuja construção se arrastou muito além da data em que Joaquim abandonou o projeto, não ususfrui da mesma reputação da Pampulha. A obra só foi concluída em 1970, quando a ditadura militar estava no auge, e por ter recebido o nome do patrono e amigo de Rolla, o ex-presidente Juscelino Kubitschek que na data amargava exílio em Portugal, nunca foi bem vista pelos militares. Na época foi taxado como favela vertical e, apesar da pesada reestruturação físico-social que recebeu nos últimos anos, ainda hoje sofre desse preconceito. Quando estudei na Escola Guignard, junto de Ulisses Moisés e Isadora Moreira, fizemos um minucioso trabalho de subjetividade no espaço urbano denominado CGJK - Condomínio de Luxo ou Favela Vertical? Nesta imersão, entrevistamos diversos moradores do prédio e pudemos conhecer sua diversidade e vitalidade como um importante cenário desprezado pela cidade institucional. Assim, o CGJK conquistou uma admiração enorme pela obra, que rompeu com o estilo tradicional de habitação mineiro, e mudou para sempre o conceito urbano da cidade onde vivo.  

Condomínio de Luxo ou Favela Vertical? Um edifício com 5700 moradores.
Fora da capital mineira, e ainda dentro dos limites do estado de Minas, as pequenas cidades de Poços de Caldas e Araxá, onde outrora Rolla apostara no negócio do jogo, continuam sendo localidades voltadas para o turismo termal. O Grande Hotel de Araxá permanece um dos mais famosos centros hidro-terapeuticos do país e pouco se fala ou sabe ainda dos tempos em que o pano verde era colocado sobre a mesa. Já o Cassino da Urca de Poços de Caldas, que mantém o mesmo nome, é hoje um importante centro cultural, administrado pela prefeitura da cidade.

Em Araxá, além de conhecer o Grande Hotel e a Fundação Cultural Calmon Barreto, pude fazer uma visita ao Hotel Colombo onde, por coincidência, funcionou um cassino que pertencia ao pai desta senhora, d. Iolanda Colombo.
 A pesquisa pelos lugares perpassados por meu tio-bisavó levou-me além das fronteiras de Minas, para o estado do Rio de Janeiro, onde se situavam os mais importantes negócios de Joaquim. Num passeio que fiz pela pequena praia da Urca, ladeando a metade ruína e a metade prédio reformado, onde antes existiu o Cassino, cheguei a uma conclusão curiosa sobre o local. Mesmo tendo abrigado a TV Tupi de 1950 a 1980 (ou seja, durante 30 anos), as pessoas ainda se referem ao edifício localizado na avenida João Luiz Alves nº 13 como sendo o Cassino da Urca, que funcionou ali por apenas 13 anos (1933-1946). Por outro lado, se todo mundo já ouviu falar do fundador da TV Tupi, Assis Chateaubriand, o mesmo não se pode dizer daquele que foi o dono do Cassino da Urca, responsável por ter feito do local um dos mais glamourosos e inesquecíveis lugares da história do Rio de Janeiro. 

Hoje, o prédio onde foi o Cassino da Urca está temporariamente vedado aos turistas e curiosos. O edifício de dois prédios, que na década de 1990 seria museu, esteve em vias de legalizar sua situação como Instituto Europeu de Design, mas foi embargado na Justiça pela associação de moradores do bairro, preocupada com a situação do trânsito local. Um dos prédios foi reformado e aguarda-se agora nos tribunais sobre seu futuro - o IED tenta de todo jeito conseguir autorização para utilizar o prédio, com projeto de trânsito inteligente (bicicletas) e ao invés de um grande número de alunos na graduação, alterou a proposta de uso apenas aos cursos de pós-graduação e mestrado - que também teria um teatro/centro/cultural caso venha a ocupar o espaço definitivamente. 

Prédio onde funcionava o jogo no Cassino da Urca depois de reformado, clicado em abril de 2009.

As praias na pequena península da Urca, hoje nada convidativas ao banho, possuem alguma serventia aos privilegiados moradores que possuem um barco para atravessar a baía de Guanabara como transporte alternativo ao caótico trânsito no Rio de Janeiro. Durante a pesquisa, recebi uma fotografia da lancha que servia de transporte aos artistas que se apresentavam na mesma noite na Urca e no Cassino Icaraí, em Niterói. Ao contrário do que vi na mini-série Herivelto e Dalva, não era uma barca extensa e lenta, mas sim uma lancha de pequeno porte, que aparentava ser bem rápida. 

Queria ter feito este mesmo percurso numa embarcação semelhante, mas infelizmente já não existe viagem tripulada saindo da Urca. Tive que me adaptar e fazer um trajeto que acabou me levando ao local desejado por um percurso diferente. Fui à Praça XV para pegar a barca e chegar a Niterói por mar, em direção ao edifício onde hoje é a reitoria da UFF, o local do antigo Cassino Icaraí. Com seu relógio numa pequena torre do topo ainda funcionando, o prédio principal de sete andares permanece intacto na parte exterior. A descaracterização da construção limitou-se ao pequeno anexo de dois andares onde ficava a sala de jogo do cassino, que perdeu seus detalhes em art-deco e suas janelas.

Visitei ainda o mal-fadado Pavilhão de São Cristovão onde a guerra fria encontrou um palco carioca no inicio da década de 1960. Hoje em dia é o Centro Luís Gonzaga de Tradições Nordestinas que ocupa as instalações, depois que o teto caiu definitivamente. Ali existe uma feira onde se podem encontrar diversos livros de cordel sobre os mais variados aspectos da cultura brasileira, de Lampião a Lula, de Kubitschek à última derrota na Copa do Mundo. E mal sabem os atuais frequentadores do Pavilhão de São Cristóvão, que o homem que bancou a construção do local foi vaqueiro, açougueiro e tangedor de gado que atravessava enchente montado em mula. Um personagem digno das historinhas de cordel vendidas por ali na atualidade, onde por enquanto ainda não figura nenhum livreto que conte a história do local e da própria migração nordestina para o Rio de Janeiro, da qual aquele bairro é uma referência. 

O Pavilhão São Cristóvão, hoje Feira de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga, obra modernista capitaneada por Rolla

Do Rio de Janeiro para a serra de Petrópolis, fiz variadas vezes o percurso rodoviário que outrora foi uma rotina diária para Joaquim Rolla. Hoje, a colossal Quitandinha foi transformada em condomínio residencial. O Sesc adquiriu o primeiro andar do prédio em 2007 e recentemente passou por um entrevero com a sociedade petropolitana, pois a instituição cogitou de proibir as pessoas de tirarem fotos do prédio - tombado pelo patrimônio desde 1986.

Foto do Quitandinha na calada da noite - sem que o pessoal do Sesc pudesse ver...


Continuando o percurso até à cidade também serrana de Teresópolis, a contribuição de Joaquim mantem-se visível. O Cassino Higino, assim como a Quitandinha, transformou-se num condomínio particular quando ainda estava na mão do empresário, e assim permanece. Já o Hotel Venda Nova Paquequer – última obra de Rolla – continua na função turística. E, enquanto alguns moradores mais antigos ainda lembram que foi Rolla quem reformou a famosa fonte Judith de Teresópolis, ninguém mais recorda ter sido ele o dono dos terrenos outrora ocupados, onde hoje crescem algumas favelas.

Dentro de qualquer família, encontra-se algum parente cuja história pode nos fascinar. Não precisam ter sido pessoas famosas, mas quando suas vidas tocaram um mundo de acontecimentos e pessoas cheio de idas e vindas, elas tornam-se personagens fascinantes. E como toda a boa história merece ser contada, porque não buscar inspiração nas historinhas que escutamos no cotidiano de nosso círculo de familiares e amigos?

Joaquim Rolla era um desses parentes que prendem a atenção de descendentes curiosos. Por sua vida passaram personalidades do mundo do espetáculo e da politica, que fazem parte da memória brasileira e são por essa razão legado de todos nós. Ao longo da pesquisa, muitos personagens se destacaram e chegaram mesmo a desviar nossa atenção do biografado, ainda que por breve período de tempo.

A vida de Joaquim Rolla é apenas mais um fragmento na história do Brasil. Mas foi nosso desejo contribuir com essa pequena peça, para o trabalho de reconstrução da memória nacional no século XX.

(fotos por João Perdigão)


sábado, 14 de maio de 2011

Conhece meu lago particular?Março de 1900, os Rollas em São ToméBodas de Prata de João & Chiquinha, São Domingos do Prata, cerca de 1918Joaquim Rolla no tiro de guerra em 19211929 - Joaquim Rolla vistoriava a construção da EFVMJoaquim na estrada 1929 parte 2 Batalhão Tiradentes em Belo Horizonte na "Revolução de 1930"HowellPose na pedraEscada por fazerMartelada"- Senhor Rolla, poderia ficar muito bom se colocasse umas gôndolas nesse lago, não?" "- Pois é, coloquei diversas nesse lago, morreram todas..."Prédio inexistente de 5700 apartamentos 1Il Quitandinha, il !!!Maria Perpétua Rodrigues GuerraMauá X Rolla X Quitandinha Escadaria do QuitandinhaEscadaria do Quitandinha 2PABX do QuitandinhaIndependente aos 101 Anos

tropecasino, um álbum no Flickr.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Citizen Samba




Carnaval has passed away. And Orson Welles left a Samba selection from his 1942 film It’s All True – which no-one has heard yet. Even though he worked with Herivelto and Dalva, and at Globo TV nobody wanted him in the plot! They even preferred to create inexistent characters … Go figure…
So here’s the long awaited song list with download:

01) Linda Batista - Batuque no Morro
02) Anjos do Inferno - Nós Os Carecas
03) Pixinguinha - Carinhoso
04) Trio de Ouro - Ave Maria do Morro
05) Dom Um Romão - Escravos de Jó
06) Época de Ouro - Um a Zero
07) Vadico - Se Alguém Disse
08) Anjos do Inferno - Nega do Cabelo Duro
09) Orlando Silva - Lero-Lero
10) Trio de Ouro - Lamento Negro
11) Ataulfo Alves - Ai, Que Saudades da Amélia
12) Trio de Ouro - Praça Onze

Cidadão Samba - em português do Brasil:

Carnaval já passou. E o Orson Welles deixou uma seleção de samba pra É Tudo Verdade em 1942 - que ninguém ouviu. E olha que ele trabalhou até com Herivelto e Dalva e na Globo ninguém quis colocar o cidadão na trama - preferiram criar até personagens que nunca existiram...Vai saber, né?

Pessoal lá da Ucla que me contou desses sons aqui.

Vai aí o setlist com download:


01) Linda Batista - Batuque no Morro
02) Anjos do Inferno - Nós Os Carecas
03) Pixinguinha - Carinhoso
04) Trio de Ouro - Ave Maria do Morro
05) Dom Um Romão - Escravos de Jó
06) Época de Ouro - Um a Zero
07) Vadico - Se Alguém Disse
08) Anjos do Inferno - Nega do Cabelo Duro
09) Orlando Silva - Lero-Lero
10) Trio de Ouro - Lamento Negro
11) Ataulfo Alves - Ai, Que Saudades da Amélia
12) Trio de Ouro - Praça Onze

English version by Manu Tenreiro, from http://dastenras.wordpress.com/



terça-feira, 16 de março de 2010

A Torre Eiffel do Curral Del Rey


Dentro de cada grande metrópole do planeta, ambientes de bem comum apresentam facetas distintas de seu funcionamento a moradores e transeuntes. E nos chamados hiper-centros, as décadas passam e espaços que eram ruínas hoje são valorizados. Assim como projetos de locais luxuosos acabam em favela. Será?

Há locais de Belo Horizonte que foram criados para cumprir uma função meramente funcional e hoje são consagrados com a população local, além de estrela do turismo – como o prédio do Mercado Central, em frente ao Minascentro. E existem também pontos da cidade que foram criados para servir como espelho do desenvolvimento mineiro e que, porém, receberam da população uma imagem oposta àquela almejada quando foram concebidos – como o Edifício Juscelino Kubitschek, na Praça Raul Soares.

Perceber a importância do JK (ou Condomínio Governador Juscelino Kubitschek – CGJK, seu nome original, quase nunca utilizado) vai além de podermos ver seu relógio marcando as horas de qualquer ponto da cidade. Sim, mesmo tendo sido concebido em 1950, ainda é o prédio mais alto da capital mineira, com seus trinta e seis andares (e é o quarto maior do Brasil).



O prédio do CGJK foi projetado em tempos de pujança imobiliária, poucos anos antes da construção de Brasília. E só terminou sua construção para ser habitado durante o crescente galope da inflação gerada para pagar os gastos do governo brasileiro na construção da Capital Federal – por muita sorte, não restam apenas ruínas.

A administração do prédio é um caso aparte na desastrada confusão política no entorno da Praça Raul Soares, com direito a apoio da religião liderada por Edir Macedo (proprietária da antiga casa de shows Olympia, originalmente parte do conjunto e hoje totalmente descaracterizada) na campanha anti-tombamento do prédio. Um bloco de 24 e outro de 36 andares com 5.000 moradores em diversos tipos de apartamentos garante à administração do prédio uma receita superior a centenas de cidades interioranas mineiras.

Com o passar das décadas, este tipo de empreendimento monolítico ficou obsoleto em todo mundo. As construções feitas desde então até os dias atuais são menos gananciosas, os prédios agora primam por um tamanho no máximo, médio. A demora de 18 anos entre a pedra fundamental e a chegada do primeiro morador no CGJK foi determinante para causar uma imagem desgastada neste prédio concebido por Oscar Niemeyer – que nega a obra, pois fez Brasília, que nunca lhe deu dor de cabeça.

Texto feito para a revista Sopa Magazine nº3 - leia e veja o ensaio fotográfico:


Referências externas:

- CGJK - Condomínio de Luxo ou Favela Vertical? - trabalho com texto e vídeos feito durante o curso de Arte e Contemporaneidade da Escola Guignard - UEMG por Isadora Fonseca, João Perdigão e Ulisses Moisés - orientados por José Márcio Barros na matéria Subjetividade no Espaço Urbano.

- Vídeo (vinheta) de anti-propaganda infográfica comemorando os 60 anos de construção do CGJK para a Escola de Design da UEMG por Bia Braz, Matheus Barreto e Paulo Barcelos - orientados por Leonardo Dutra e Cris Nery:



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Orson Welles Filmou Um Clássico No Brasil - Será Verdade?



Na década de 1940, a política da boa vizinhança foi instituída pelos Estados Unidos para poder consolidar seu poderio econômico e hegemonia cultural em países da América Latina (ou seja, o Brasil e o restinho da América). Ao norte do hemisfério já era Carmen Miranda quem havia se tornado a mais bem-paga atriz dos Estados Unidos através de seus honorários em direitos autorais de chapéus, roupas e tamancos.

Aqui no Brasil, no dia 13 de fevereiro de 1942, Orson Welles aportou para filmar dois episódios de It’s All True (É Tudo Verdade). O primeiro era sobre o carnaval e suas influências como samba e candomblé; o segundo é uma história feita em homenagem a quatro jangadeiros cearenses que realizaram uma façanha homérica. No ano anterior, Welles havia lido na revistaTime uma reportagem sobre a travessia por mar de 1000 milhas feita pelos jangadeiros de Fortaleza Manuel Olímpio (o Jacaré), Jerônimo de Sousa, Raimundo Lima e Pereira da Silva para a então capital federal Rio de Janeiro. Foram pedir providências a Getúlio Vargas sobre os seus direitos previdenciários – que o ditador prometeu dar e não cumpriu.

O problema deste filme, rodado durante seis meses de 1942 e nunca lançado, é que ele foi dirigido por um dos mais influentes cineastas do século XX, o polêmico Orson Welles. Parece que o gênio, então com 26 anos, comprou briga com Getúlio Vargas e Nelson Rockefeller. E isto aconteceu logo após ele ter adotado Hollywood como seu autorama particular para experimentações, levantando a ira de celebridades e chefões.

É Tudo Verdade tentaria desmontar o estereótipo hollywoodiano do negro e do latino-americano. Ele iria tentar conectar a história desses povos à cultura negra norte-americana durante o segmento final (a única parte do filme que não chegou a ser filmada) estrelado por Louis Armstrong que contaria a gênese comum do samba e do jazz...

Um motivo implícito pelo qual o diretor de Cidadão Kane - um dos mais influentes filmes de todos os tempos - ter vindo parar no Brasil foi estar sendo perseguido pelo biografado no clássico, Willian Randolph Hearst, dono de um império midiático naqueles tempos, o grupoTime. As revistas de fofoca cinematográfica de maior circulação nos Estados Unidos naquela época pertenciam a Hearst que, através de chantagens com Hollywood, conseguiu plantar o nome de Welles na lista dos comunistas de carteirinha que o FBI já investigava uma década antes da caça às bruxas.

E você acha que Welles chegou aqui e foi andar com quem? Vinícius de Morais, recém-admitido embaixador no Itamaraty foi um que não saía de perto do ícone. Herivelto Martins e Grande Otelo além de companheiros de filmagem eram companheiros de noitadas em favelas cariocas. Herivelto (diretor musical) e Otelo (personagem principal de um dos segmentos) estranhavam a atitude do gringo que enchia a cara de cachaça até às cinco da manhã e às oito horas exigia a presença de todos no set de filmagem. Os brasileiros levavam rotina de Cassino da Urca e nunca acordavam antes do meio-dia, o que levava Welles à beira de um ataque de nervos.

Mas foi a simpatia do cineasta americano pelo jangadeiro Jacaré o que realmente incomodou o governo brasileiro, pois Jacaré estava sendo acusado justamente de...Comunista pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda da ditadura Vargas). Quando Welles filmou os quatro jangadeiros originais numa re-encenação da viagem feita no ano anterior do Ceará-Rio de Janeiro, Jacaré acabou falecendo num trágico acidente na Baía de Guanabara. Welles ficou comovido e mais determinado que nunca, criou outro segmento contando as trágicas condições em que os jangadeiros cearenses viviam naqueles tempos.


Pra tentar mudar a maré, saiu do Rio e foi morar em Fortaleza por mais de um mês, onde rapidamente escreveu e dirigiu o roteiro enquanto convivia e filmava cenas com pescadores que nunca haviam visto um filme na vida. Com apenas dez mil dólares no bolso, retratou o cotidiano daquela gente sofrida, o trabalho das mulheres tecelãs, e encenou a morte de um jangadeiro no mar, seu funeral na aldeia e o futuro incerto de sua jovem viúva. O diretor não terminou de editar a obra, pois o filme foi confiscado pela RKO, que depois foi vendida para a Paramount. Onde em 1958 uma funcionária teria queimado a maior parte dos rolos em Technicolor na sequência de It's All True onde Grande Otelo aparece. Aparentemente a ordem tinha origem no medo dos estúdios serem processados por direitos autorais em filmes não-lançados. Será verdade que não sobraram tomadas das cenas com Grande Otelo?

A sequência supostamente destruída de É Tudo Verdade contava a origem do carnaval carioca e foi filmada em vários locais da cidade. A Praça Onze, que havia sido demolida no ano anterior para dar lugar à Avenida Presidente Vargas foi reconstruída em estúdio, fato que obviamente levantou a ira do ditador. Outros segmentos filmados na então capital federal tiveram palco no Cassino da Urca, local bastante frequentado por Welles, onde até teve calorosos romances, como a cantora Linda Batista.

Já escutei pessoas dizendo que a tomada mais bonita desta sequência mostra um ritual de aquecimento de tamborins de couro de gato recém-esticado numa enorme fogueira. No documentário É Tudo Verdade de 1993, o filho de Herivelto Martins, Peri Ribeiro, que contracenou com Grande Otelo no filme, diz que Welles fez o que nenhum outro homem havia feito pelo Brasil: mostrar o país como realmente era - o que acabou sendo o motivo do fracasso do projeto.

Otelo e Peri.

A carreira de Welles ficou manchada pelo fato de terem lhe dado um milhão de dólares para gravar um filme que só não terminou por birra dos próprios estúdios. E será verdade que também por censura do governo brasileiro?

Welles comentou em entrevista ao crítico de cinema, André Bazin: “ (...) fizeram outra versão, modificando todas as idéias e refazendo tudo ao modo deles. Eu tinha rodado durante seis meses, mas o estúdio RKO me despediu”.

Com o passar dos anos, ele não teve mais propostas de controlar um projeto em seu próprio país e em 1946 já estava morando na Europa. Recentemente, em 2009, uma ex-secretária do governo brasileiro me contou que na década de 1950, viajou num avião fretado por Assis Chateaubriand para ir numa festa em um castelo nos arredores de Paris. De repente ela pisou num bêbado que estava obstruindo o caminho deitado no chão. Veio a saber mais tarde que o bebum era Orson Welles.

Os brasileiros sempre tiveram ótimas impressões do cineasta que veio aqui e enturmou-se com a cultura local, tomava todas com os artistas e exaltava o sentimento ufanista em voga pelo Estado Novo narrando o aniversário do presidente em programa de rádio ao vivo para os EUA. Welles chegou inclusive a marcar território em Itabirito, Minas Gerais, onde parou o carro para urinar à beira do rio Itabira, próximo onde hoje existe um busto seu, feito pelo artista local Genin Guerra.

Momentos itabiritanos: água no joelho e busto.

Apesar de ter feito seu meio de campo tão bem no país do futebol, anos depois Welles confessou a seu amigo Paul Mazursky que quando foi enviado para cá, o último país do mundo que gostaria de ter ido seria o Brasil.

Já o filme É Tudo Verdade ficou perdido por mais de 60 anos, até que um estudante de cinema da UCLA (Universidade da Califórnia) encontrou os rolos ainda sem editar num arquivo da RKO. Mesmo assim, It’s All True não foi lançado até hoje, verdade?

Em 1993, Bill Krohn, Myron Meysel e Richard Wilson vieram ao Brasil saber como andavam os jangadeiros e Grande Otelo. O resultado é o documentário homônimo It's All True onde montaram o segmento Quatro Homens Numa Jangada com trilha sonora nova.

Há diversos trabalhos acadêmicos e obras cinematográficas sobre It's All True - o filme que não aconteceu - incluindo um curta ficcional americano e três do cineasta brasileiro Rogério Sganzerla - Nem Tudo É Verdade (1986), Tudo É Brasil (1997) e O Signo do Caos(2005). Uma obra escrita sobre o tema é It's All True: Orson Welles' Pan-American Odyssey, de Catherine Benamou, professora no departamento de estudos étnicos da Universidade de Michigan. Em 2006, a professora disse que nos arquivos da UCLA, na Califórnia, repousa vasto material ainda não devidamente preservado e editado dos três primeiros episódios.

O catálogo da Cinemateca Brasileira acusa uma cópia do filme. Será verdade? Resta aos nerds ir investigar. Por mais que pareça mentira, a verdade é que ninguém ainda viu o It's All True de 1942...



Texto elaborado por João Perdigão e minha amiga dalém-mar, que escreve no blog arthropophagyas (lá você encontrará a versão em inglês desse texto).